Prática Profissional

Retiros Psicadélicos: Estudo Revela Variabilidade nas Práticas de Segurança

Um estudo qualitativo publicado na JAMA Network Open analisou as práticas de segurança de 49 organizações que oferecem retiros com substâncias psicadélicas. A investigação, conduzida por investigadores do Baylor College of Medicine, identificou variabilidade significativa nos protocolos implementados.

A maioria das organizações estudadas (88%) localiza-se na América do Norte, com a ayahuasca e a psilocibina a constituírem as substâncias mais frequentemente disponibilizadas. Cerca de 40% das organizações oferecem mais do que uma substância psicadélica. Todas as 49 organizações recolhem histórico clínico dos participantes, e 73,5% excluem indivíduos com determinadas condições de saúde. A esquizofrenia, a psicose e a perturbação bipolar são os critérios de exclusão mais comuns. A maioria das organizações (87,8%) exige ou recomenda a descontinuação de determinados fármacos antes do retiro, nomeadamente antidepressivos. Os períodos de suspensão variam entre um dia e mais de seis semanas, uma prática que os investigadores consideram potencialmente arriscada devido aos efeitos de abstinência. Apenas 43% das organizações colaboram com profissionais de saúde licenciados, e 65% dispõem de pessoal com formação médica ou de emergência presente durante os retiros.

Implicações

Os autores sublinham a necessidade de diretrizes de boas práticas desenvolvidas em colaboração com comunidades indígenas e não-clínicas. O estudo documenta 58 mortes em retiros de ayahuasca entre 1994 e 2022, nenhuma atribuída diretamente à substância, sugerindo que protocolos adequados poderiam ter prevenido estes desfechos.

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