O estado norte-americano do Oregon mantém em funcionamento o primeiro sistema legal e regulado de acesso à psilocibina dos Estados Unidos, três anos após a abertura dos primeiros centros. O programa nasceu da Medida 109, aprovada por referendo em novembro de 2020 e hoje codificada na lei estadual (ORS 475A), que mandata a autoridade de saúde do estado a licenciar e fiscalizar o fabrico, transporte, venda e administração de produtos de psilocibina.
A supervisão cabe à secção Oregon Psilocybin Services (OPS), integrada na Oregon Health Authority. O licenciamento arrancou em janeiro de 2023 e os primeiros centros de serviço começaram a receber clientes no verão desse ano — o EPIC Healing Eugene foi o primeiro a abrir, em junho de 2023. Cada centro e cada facilitador licenciado gerem de forma autónoma a sua atividade e o contacto com os clientes.
Importa sublinhar o que o modelo não é: não se trata de um sistema médico nem de prescrição clínica. O acesso não exige diagnóstico nem encaminhamento médico. As sessões decorrem em centros licenciados, sob acompanhamento de um facilitador certificado, e estruturam-se em três fases — preparação, sessão de administração e integração. A substância não pode ser levada para casa nem vendida fora destes contextos supervisionados.

Os primeiros números
Desde 2025, ao abrigo da lei estadual SB 303, os centros são obrigados a reportar dados, publicados num painel público pela OPS. Os registos relativos a 2025 — o primeiro ano civil completo de recolha — indicam que cerca de 5.935 clientes participaram em aproximadamente 5.375 sessões. Estima-se que o total acumulado desde o arranque ronde os 15.000 a 16.000 clientes.
O perfil dos utilizadores revela um padrão consistente: a faixa dos 35 aos 49 anos constitui o maior grupo, com predominância feminina, e uma proporção assinalável de participantes residentes fora do Oregon, sinal de algum “turismo” associado ao serviço. A diversidade racial mantém-se limitada, com forte sobrerrepresentação de participantes brancos.
Quanto à segurança, os dados apontam para uma taxa baixa de reações adversas — da ordem de poucos casos por cada mil sessões — sem hospitalizações registadas até ao início de 2026. Convém, ainda assim, ler estes números com cautela: o reporte de efeitos adversos pós-sessão depende em larga medida da iniciativa do próprio cliente.
Um modelo em observação
O percurso do Oregon não tem sido linear. Vários centros encerraram poucos meses após abrirem e mais de duas dezenas de municípios e condados aprovaram proibições ou moratórias, concentrando a atividade no corredor ocidental do estado. O custo por sessão, frequentemente na ordem dos milhares de dólares, continua a ser apontado como principal barreira de acesso.
Ainda assim, por ser o primeiro do género e pela escala dos dados que vai produzindo, o programa do Oregon tornou-se uma referência incontornável no debate internacional sobre modelos de acesso regulado a psicadélicos — um caso de estudo em tempo real que outras jurisdições, incluindo o vizinho Colorado, observam de perto.
