Ciência

Complicações Físicas Graves Associadas a Psicadélicos São Raras, Sugere Análise Global

Uma análise recente de dados de farmacovigilância à escala global indica que, embora os relatos de perturbação psiquiátrica sejam comuns entre utilizadores de psicadélicos clássicos e MDMA, as complicações físicas graves parecem ser relativamente raras em contextos reais de consumo. O estudo foi publicado na revista Psychiatry Research.

A equipa de investigação, liderada por Omer A. Syed da Universidade de Toronto, recolheu dados da VigiBase — a base de dados global de relatos de segurança individual da Organização Mundial de Saúde, que agrega notificações espontâneas de eventos adversos provenientes de mais de 180 países. A análise focou-se nos psicadélicos “clássicos” (LSD, psilocibina, DMT e mescalina) e no MDMA, examinando todos os relatos disponíveis até dezembro de 2025.

Principais resultados

Foram identificados 1.573 relatos de eventos adversos para o MDMA e 394 para o LSD. Os números para as restantes substâncias foram consideravelmente mais baixos: 56 para psilocibina, 18 para DMT e 15 para mescalina.

A categoria mais frequente de eventos adversos envolveu perturbações psiquiátricas — cerca de 38% dos relatos para o LSD e 32% para o MDMA. Em contraste, os relatos de danos em órgãos físicos ou perturbações fisiológicas graves foram incomuns. As perturbações cardíacas, por exemplo, representaram apenas cerca de 5% dos eventos adversos reportados para o MDMA, sendo ainda mais baixas para o LSD. Os relatos especificamente relacionados com “sobredosagem” foram também relativamente raros, constituindo entre 1,1% e 1,7% do total. Quanto a complicações relacionadas com a gravidez e desenvolvimento congénito, os dados revelaram que estas foram extremamente raras em todas as substâncias analisadas.

Apesar das limitações metodológicas que não permitem estabelecer relação causal, este estudo oferece uma perspetiva rara sobre o perfil de segurança global destas substâncias fora do contexto de ensaios clínicos. Os investigadores concluem que, embora os eventos adversos psiquiátricos e os relatos de abuso de substâncias sejam comuns, estes são provavelmente influenciados pelo consumo concomitante de outras drogas. As contraindições estabelecidas — evitar o uso durante a gravidez, amamentação ou na presença de condições psiquiátricas, neurológicas ou cardiovasculares graves — permanecem válidas.

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