Num episódio do Psychedelic Medicine Podcast, conduzido por Lynn Marie Morski, a psicoterapeuta Dori Lewis (co-fundadora da Elemental Psychedelics e responsável pela Reflective Healing, em Fort Collins, no Colorado) analisou os mitos e equívocos mais frequentes em torno da psilocibina para fins terapêuticos.
O primeiro mito abordado é a ideia de que é o próprio cogumelo de psilocibina que faz todo o trabalho de cura. Segundo Lewis, o processo depende sobretudo da iniciativa da própria pessoa, que atua em conjunto com a substância. Nessa linha, a psicoterapeuta contesta a existência de protocolos rígidos sobre a frequência de utilização, defendendo que os clientes devem ser orientados a sintonizar-se com a sua própria intuição interior para perceber quando uma experiência poderá ser útil.
Outro equívoco discutido é a expectativa de que a cura possa ocorrer sem transformações profundas na identidade ou na visão do mundo. Lewis defende que os facilitadores têm de ser muito transparentes quanto a estes possíveis impactos, preparando as pessoas para mudanças significativas. A terapeuta sublinha ainda que as experiências emocionalmente mais intensas e difíceis podem ser, precisamente, as mais curativas — pelo que o acompanhamento e a preparação são determinantes.
A conversa aborda também o tipo de traumas em que a psilocibina pode ser particularmente eficaz, a formação de facilitadores no Colorado ao abrigo do Natural Medicines Program, a importância do âmbito de atuação (scope of practice) e as razões pelas quais, em alguns casos, o estado de saúde mental pode agravar-se antes de melhorar.
Episódio disponível no Psychedelic Medicine Podcast, com Dr. Lynn Marie Morski:
