Num artigo publicado em maio de 2026 no British Journal of Clinical Pharmacology, Ioanna Artemis Vamvakopoulou, David J. Nutt e colegas do Imperial College London, apresentam uma revisão abrangente sobre a aplicação da terapia assistida por psicadélicos (PAT) em crianças e jovens.
Os autores partem de uma constatação clínica: as taxas de doença mental em jovens têm vindo a aumentar, sem que se tenham desenvolvido, em paralelo, tratamentos verdadeiramente inovadores. Substâncias como a psilocibina e a MDMA já demonstraram potencial no tratamento de depressão, ansiedade e stress pós-traumático em adultos, o que tem alimentado o interesse na sua eventual aplicação em populações mais jovens. A revisão percorre a investigação disponível, desde os estudos experimentais dos anos 50 até à investigação observacional e retrospetiva mais recente sobre usos tradicionais e não médicos.
O artigo integra ainda dados preliminares do grupo, obtidos em grupos focais com jovens entre os 16 e os 25 anos com experiência de automutilação. A maioria mostrou-se aberta ao uso de psicadélicos em contexto terapêutico, mas apenas para maiores de 18 anos, com quadros clínicos complexos e resistentes às terapias convencionais. Doses mais baixas foram apontadas como potencialmente mais seguras.
Os autores concluem que é necessária mais investigação e maior literacia sobre o tema, tanto entre profissionais de saúde mental como utentes e famílias, antes de qualquer implementação clínica em populações jovens.
