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Revisão Sugere que a Música é Componente Activo da Terapia Psicadélica

A música faz parte das experiências psicadélicas guiadas há várias décadas. Nos anos 70, a terapeuta Helen Bonny foi uma das primeiras a integrar de forma sistemática música ambiente e neo-clássica nas sessões terapêuticas, uma prática que continua a influenciar muitos protocolos atuais.

Uma revisão recente da literatura, publicada na revista Brain and Behavior por Timothy Rowe e colegas, analisou 19 estudos sobre psilocibina e LSD e concluiu que a música pode desempenhar um papel importante na forma como estas experiências são vividas. Segundo os autores, a música parece intensificar as emoções, favorecer a atribuição de significado à experiência e estimular a imaginação e as imagens mentais, podendo também aumentar a flexibilidade da atividade cerebral.

Um dos estudos analisados, realizado com pessoas com depressão submetidas a sessões de psilocibina, mostrou que quem mais apreciou a música, se sentiu mais envolvido por ela e permaneceu mais aberto à escuta teve experiências místicas mais intensas e apresentou uma maior redução dos sintomas depressivos uma semana depois. Curiosamente, estas melhorias foram melhor explicadas pela forma como os participantes responderam à música do que pela intensidade dos efeitos da própria psilocibina.

Por outro lado, o género musical parece ser menos importante do que a forma como cada pessoa se relaciona com a música. Estudos que compararam diferentes repertórios não encontraram diferenças relevantes nos resultados terapêuticos entre estilos musicais.

Apesar destes resultados promissores, os autores sublinham que a evidência ainda é limitada. Nenhum estudo comparou diretamente sessões com e sem música, apenas um tentou separar os efeitos da música dos efeitos da substância, e a maioria dos estudos envolveu amostras pequenas. Além disso, embora muitas pessoas descrevam a música como um elemento que aprofunda a experiência e facilita momentos de grande significado, outras relatam que ela pode evocar emoções difíceis ou imagens perturbadoras.

No conjunto, a investigação sugere que a música é muito mais do que um simples “fundo sonoro” durante uma experiência psicadélica. No entanto, continua por esclarecer qual é exatamente o seu papel e que características musicais melhor promovem benefícios terapêuticos. Curiosamente, muitas das playlists utilizadas atualmente continuam a basear-se mais na tradição do que em evidência científica robusta.

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