Ciência

Cogumelos Mágicos Podem Conter Mais Do Que “Apenas” Psilocibina

Durante décadas, a psilocibina foi vista como o principal ingrediente ativo dos chamados “cogumelos mágicos”. Mas um novo estudo sugere que a história poderá ser mais complexa. Os investigadores analisaram vários compostos presentes naturalmente nos cogumelos psicadélicos e concluíram que alguns poderão interagir de forma sinérgica no cérebro, produzindo um chamado “efeito entourage” — conceito já conhecido noutras plantas psicoativas como a canábis.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, utilizou modelos computacionais para simular a interação entre diferentes moléculas dos cogumelos e recetores cerebrais ligados à serotonina e à dopamina. Entre os compostos analisados estavam beta-carbolinas e derivados da aeruginascina, substâncias muito menos estudadas do que a psilocibina ou a psilocina.

Um dos resultados mais discutidos foi a hipótese de que um derivado da aeruginascina possa ter afinidade ainda maior por certos recetores serotoninérgicos do que a própria psilocina. No entanto, os autores sublinham que estes resultados são ainda teóricos e baseados exclusivamente em modelação computacional.

A investigação pode ajudar a explicar porque algumas pessoas relatam diferenças subjetivas entre cogumelos integrais e psilocibina sintética utilizada em ensaios clínicos. Ainda assim, vários investigadores e membros da comunidade científica alertaram para interpretações exageradas do estudo, lembrando que a ligação molecular não equivale automaticamente a um maior efeito psicoativo. Os autores defendem que serão necessários estudos laboratoriais e clínicos para confirmar se estes compostos secundários têm impacto relevante na experiência psicadélica ou no potencial terapêutico dos cogumelos.

Scientific Reports volume 16, Article number: 9016 (2026)

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