A distorção temporal constitui um dos efeitos clássicos das substâncias psicadélicas, ainda que frequentemente negligenciado na literatura educativa sobre o tema. Este artigo publicado na plataforma Chemical Collective escrito pelo cronista Sam Woolfe, explora as dimensões positivas e negativas desta alteração percetiva.
Sob o efeito de psicadélicos, a experiência subjetiva do tempo pode sofrer alterações significativas. A dilatação temporal — em que minutos parecem horas — representa a manifestação mais comum. No espectro mais místico, alguns utilizadores reportam estados de atemporalidade ou a sensação de existir num “eterno agora”. O político britânico Christopher Mayhew, que tomou mescalina em 1955 sob supervisão do psiquiatra Humphry Osmond, descreveu retrospetivamente a experiência como “anos e anos de felicidade celestial” condensados numa tarde. Aldous Huxley procurou estas substâncias precisamente pela possibilidade de escapar à consciência temporal que associava ao sofrimento existencial.
A investigação sugere que estas alterações temporais se relacionam com a atividade nos recetores serotoninérgicos 5-HT2A e com mudanças na conectividade funcional da rede de modo padrão cerebral. A dilatação temporal pode intensificar tanto estados de bem-estar como experiências adversas. Quando acompanhada de euforia, a experiência pode ser percecionada como transcendente. Contudo, em contextos de desconforto, a sensação de que o tempo não passa pode amplificar a ansiedade e conduzir a espirais de pensamentos negativos. Numa perspetiva de redução de danos, o artigo sublinha a importância de informar os utilizadores sobre estes efeitos e de desenvolver estratégias de coping, incluindo técnicas de respiração e atitudes de aceitação da experiência.
