Ciência

Efeitos Terapêuticos dos Psicadélicos Clássicos: Uma Revisão de 10 Estudos

Com o renovado interesse no potencial terapêutico das substâncias psicadélicas em condições de saúde mental, assistimos nos últimos anos a uma vaga de estudos com intervenção em população clínica realizados em contexto laboratorial. Uma revisão recentemente publicada, da autoria de Andersen, Carhart-Harris, Nutt e Erritzoe, procurou sistematizar a evidência produzida até agora sobre os efeitos da intervenção terapêutica assistida por substâncias psicadélicas clássicas nesse contexto.

Os autores analisaram dados relativos a 10 ensaios clínicos, num total de 188 pacientes que receberam terapia assistida por substâncias psicadélicas clássicas, nomeadamente LSD, psilocibina ou ayahuasca. Para todas as condições clínicas – depressão, perturbação obsessivo-compulsiva, ansiedade e depressão relacionas com o fim de vida e abuso de álcool e tabaco – foram reportados resultados benéficos da intervenção, com diminuições significativas dos sintomas ou comportamentos aditivos.

Esta revisão sustenta a possibilidade de existirem benefícios terapêuticos das substâncias psicadélicas clássicas para o tratamento de perturbações do humor e adição. De notar ainda que estes efeitos pareceram ser duradouros (semanas / meses) mesmo com uma só administração da substância, tendo sido a natureza da experiência psicadélica o principal fator preditor dos resultados terapêuticos, a médio e longo-prazo, na maioria dos estudos.

Como assinalado pelos autores deste estudo, os resultados são promissores mas carecem ainda de robustez tendo em conta a natureza aberta dos ensaios clínicos e o número reduzido de participantes em cada estudo. É importante notar que há, no entanto, uma boa evidência relativamente à segurança e viabilidade da terapia assistida por substâncias psicadélicas.

Outras revisões semelhantes foram publicadas nos últimos anos, listadas de seguida:

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