Opinião

Teoria Transpessoal Grofiana, Estados Holotrópicos da Consciência e Psicadélicos

A segunda metade do século XX foi a idade de ouro da pesquisa psicadélica. Cerca de 40.000 pacientes tomaram LSD-25 de forma terapêutica, com benefícios marcantes para muitas questões psicológicas como a dependência, a depressão e a ansiedade relacionada à morte em doentes terminais. Um dos pioneiros dessa Era foi o psiquiatra, psicoterapeuta e explorador da consciência Stanislav Grof, que conduziu cerca de 4.000 sessões psicadélicas durante esse período, até à investigação com estas substâncias ser interrompida e proibida em 1971.

Apesar desta proibição, Grof continuou o seu trabalho de exploração da consciência até aos dias de hoje, juntamente com a sua falecida mulher Christina Grof e mais recentemente com a sua atual mulher Brigitte Grof, conseguindo criar métodos alternativos aos psicadélicos. Desenvolveu um novo método para induzir Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC, que também designou de ‘estados holotrópicos da consciência’) através da respiração, que Christina e Stanislav apelidaram de Respiração Holotrópica. Atualmente Brigitte e Stanislav criaram uma nova formação sobre a terapia psicadélica, acompanhando esta nova vaga de renascimentos dos psicadélicos.

Stanislav Grof, M.D., Ph.D., nascido a 1 Julho 1931 na República Checa, é um pioneiro mundialmente reconhecido sobre o potencial transformador dos ENOC. É muito conhecido pelo seu trabalho de psicoterapia assistida por LSD-25 nos anos 50 e 60 do século passado. A utilização terapêutica deste psicadélico, e de outros, na sua prática psiquiátrica permitiu um reconhecimento generalizado atual de que tais substâncias podem desempenhar um papel fundamental no tratamento de muitos distúrbios emocionais e psicossomáticos, assim como na redução da depressão e ansiedade e em relação ao medo da morte em pacientes terminais. As suas teorias inovadoras influenciaram a Psicologia, a Psiquiatria e a Psicoterapia com o seu inovador mapa da consciência, propondo a existência das dimensões perinatal e transpessoal da psique, sugerindo a importância vital para o ser humano deste se relacionar com estes estados profundos da consciência.

Grof foi um dos fundadores da nova corrente da Psicologia, a Psicologia Transpessoal, também designada por este autor como a Psicologia do futuro. Nos últimos 50 anos  manteve a sua dedicação ao estudo e disseminação do potencial dos ENOC, com e sem o recurso a substâncias psicotrópicas. A teoria Grofiana e os estados holotrópicos da consciência constituem um enorme contributo para a psicoterapia e para a pesquisa moderna da consciência e podem ser aprofundados nos seus 22 livros publicados e 160 artigos.

Após a proibição dos psicadélicos iniciada em 18 Junho 1971 pelo Presidente norte americano Richard Nixon, na mítica conferência de imprensa durante a qual declarou que o abuso do uso de drogas ilegais era o “inimigo público número um”, Stanislav Grof, conseguiu criar um método inovador que designou de Respiração Holotrópica (Grof® Breathwork), que leva os utilizadores a alcançarem estados muito semelhantes ao induzido pelas substâncias psicotrópicas, mas apenas através da utilização da respiração. Este é um método experimental de autoexploração que combina e integra vários elementos da investigação da consciência, da psicanálise, da psicologia analítica, da psicologia transpessoal, com as filosofias espirituais orientais, xamanismo, entre outras práticas de cura nativas.

O modelo Grof® Breathwork foi criado em meados da década de 1970, no Instituto Esalen, em Big Sur, Califórnia e difundida pelo mundo inteiro através dos seus famosos workshops e retiros. Christina Grof foi professora de hatha yoga e de arte e, juntamente com Stanislav, organizou centenas de workshops e retiros de Respiração Holotrópica em diversos países. Fundaram a Associação Transpessoal Internacional e coordenaram e participaram em diversas conferências internacionais. Em 1980, Christina fundou a Rede de Emergência Espiritual, uma organização para ajudar pessoas em crise psicoespiritual. É autora de dois livros e coautora, juntamente com Stanislav, de quatro livros. Christina Grof faleceu em 2014. Mais recentemente, em pleno período do renascimento dos psicadélicos em todo o mundo, Stanislav Grof, juntamente com a sua atual esposa Brigitte Grof, lançou uma nova formação, Grof® Legacy Training, que consiste na aprendizagem do modelo da respiração holotrópica, dos ENOC, assim como de uma componente adicional sobre a psicoterapia assistida por psicadélicos, o recurso e a utilização destas substâncias, os seus benefícios psicoterapêuticos e áreas de atuação no ser humano. Trata-se de uma versão mais atual de toda a teoria e prática Grofiana e dos estados holotrópicos da consciência. De seguida, passamos a descrever mais em detalhe cada um desses três momentos na vida de Stanislav Grof e da sua relação com o nascimento, proibição e renascimento dos psicadélicos.

“Se eu sou o pai do LSD, Stanislav é o padrinho. Ninguém contribuiu tanto quanto Grof para o desenvolvimento do meu ‘filho problememático’ ”. Albert Hofmann

O Nascimento dos Psicadélicos e da Psicologia Transpessoal

Em abril de 1938, nos laboratórios Sandoz na Basileia, Albert Hofmann conseguiu sintetizar pela primeira vez o LSD-25 (ou dietilamida do ácido lisérgico) e com isso trouxe um grande contributo à Psiquiatria, à Psicologia e à psicoterapia pela descoberta do potencial terapêutico dos ENOC.

Entre 1940 e 1970, proliferou o desenvolvimento de modelos com distintas utilizações terapêuticas, como é o caso da Terapia Anaclítica com LSD de Martin e McCririck; a Terapia Hipnodélica de Levine e Ludwig; a Psicosíntese de Salvador Roquet; a Simbolisis de van Rhijn; a Hebesintese de Abramson; a Liserganálise de Giberti e Gregoretti; a Oneiroanálise de Delay, a Terapia Transintegrativa de MacLean.

A descoberta de Hofmann e o seu trabalho tiveram um impacto profundo na vida profissional e pessoal de Grof. A sua primeira sessão de LSD-25 foi em 1956, quando ainda era um psiquiatra iniciante e inexperiente e este foi um ponto crítico e de profundas transformações pessoais e profissionais. No mesmo ano em que Grof experimentou o LSD-25 também se integrou no Instituto de Investigação Psiquiátrica de Praga, de forma a investigar os benefícios terapêuticos da utilização de substâncias psicadélicas. Em 1967, foi trabalhar para os EUA, dando continuidade a este trabalho, em Baltimore, Spring Grove, no Centro de Investigação Psiquiátrica de Maryland, onde outros estudos com LSD-25 foram realizados.

Desde 1954 até 1970, Grof dirigiu mais de 4.000 sessões psicadélicas, principalmente com LSD-25, mas também com psilocibina e desde 1974 facilitou mais de 70.000 sessões de respiração holotrópica. Entre 1964 e 1966, a publicidade sobre o LSD-25 por parte de alguns representantes do movimento hippie, assim como estatísticas de acidentes, problemas mentais, suicídios e assassinatos presumivelmente praticados sobre a influência do LSD trouxeram vários problemas e o laboratório de Sandoz foi obrigado a interromper a produção e a sua distribuição.

Este psicadélico foi proibido nos EUA em 1966 e, a partir da década de 1980, foi retomado o interesse pelo estudo científico do LSD e de outras substâncias, através de Rick Doblin, psicólogo e fundador da MAPS (Multidisciplanary Association for Psychedelic Studies). Contudo, o grande renascimento dos psicadélicos deu-se na viragem do século.

Stanislav Grof teve outro papel preponderante na história da Psicologia que foi o nascimento da psicologia transpessoal. A Psicologia Transpessoal é uma escola da Psicologia considerada por Abraham Maslow como a Quarta Força da Psicologia, sendo a primeira força a Psicologia Comportamental, a segunda a Psicanálise e a terceira a Psicologia Humanista. É uma forma de sincretismo teórico, que abarca conteúdos de muitas perspetivas psicológicas, como as teorias de Carl G. Jung, Abraham Maslow, Viktor Frankl, Ken Wilber e do próprio Stanislav Grof.

A Psicologia Transpessoal tem como objeto o estudo da consciência e dos estados não ordinários e, neste sentido, abraça várias ferramentas como a hipnose, a meditação, o relaxamento, o yoga, a respiração holotrópica, a psicoterapia assistida por psicadélicos e o estudo dos estados místicos das tradições espirituais, como é o caso de Santa Teresa de Ávila ou São João da Cruz. Vários autores como Ken Wilber ou Stanislav Grof propõem cartografias da consciência mais alargadas.

Na Psicologia Transpessoal propõe-se uma integração entre os aspetos espirituais e transcendentais da experiência humana com a estrutura da mente oferecida pela Psicologia moderna. Surge assim como uma forma de validar muitas das experiências já bem conhecidas e descritas ao longo da história da consciência da humanidade e por diferentes culturas como as experiências extáticas, unitivas e todo o conjunto de experiências místicas e transcendentais que o homem foi descrevendo ao longo dos séculos.

Segundo Stanislav Grof, a Psicologia Transpessoal é uma disciplina que complementa, ultrapassa e modifica a estrutura conceptual da psicologia e da psicoterapia convencionais através do campo de estudo e da fonte de dados a que recorre; pela utilização de métodos científicos para estudar todo o espectro da experiência humana, incluindo os ENOC; e através de um novo modelo da psique, da nova arquitetura da psicopatologia, dos mecanismos terapêuticos e da espiritualidade que engloba.

A Psicologia e a psicoterapia tradicionais usam um modelo do ser humano limitado apenas à biografia e ao inconsciente individual que são adequados em contextos psicoterapêuticos verbais, como a associação livre ou terapias cognitivo-comportamentais, mas não abarcam as psicoterapias transpessoais, por não incluírem todo o espectro do ser humano.

Devido às experiências alcançadas com os ENOC e com o estudo das tradições místicas e xamânicas, a Psicologia Transpessoal permitiu um novo mapeamento destas experiências e estados de consciência, introduzindo cartografias diferentes das desenhadas por Freud e outros autores anteriores. Estes mapeamentos foram realizados com base em investigações científicas, nos relatos dos pacientes e no estudo sobre a literatura espiritual.

“Os estados holotrópicos da consciência são para a Psiquiatria o equivalente ao telescópio para a Astronomia ou o microscópio para a Biologia.” Stanislav Grof

A cartografia da consciência de Grof inclui o nível abstrato e estético, onde se incluem as sensações corporais e os visuais que podem surgir na consciência de cada um; o nível biográfico, abrangendo as memórias a que temos acesso desde o momento do nosso nascimento até ao momento atual da nossa vida; e dois outros níveis transbiográficos: o domínio perinatal, relacionado com as experiências de nascimento-morte; e o domínio transpessoal, relacionado com tudo aquilo que está para além do nosso ego e da nossa personalidade, onde se enquadram fenómenos como a identificação experiencial com outras pessoas, animais, plantas, memórias ancestrais, raciais, filogenéticas, cármicas, seres mitológicos e arquetípicos. Os fenómenos referentes aos domínios perinatal e transpessoal têm sido descritos ao longo do tempo na literatura religiosa e mística em várias partes do mundo.

Quando o processo de autoexploração se aprofunda para além do nível das memórias da infância e da adolescência e remonta até ao período do nascimento e da vida intrauterina, podem emergir emoções e sensações físicas de extrema intensidade. Grof sistematizou este nível em quatro momentos, a que designou de Matriz Perinatal Básica I, II, III e IV (MPB). Afirma que a forma como nascemos e o impacto de cada uma destas matrizes na consciência pode ser tão grande que muitos dos padrões de comportamento e funcionamento mental adulto podem ter origem do nosso nascimento.

A MPB I é o Universo Amniótico, que se relaciona com a existência intrauterina anterior ao início do parto, sendo a sua base biológica, a unidade simbiótica original do feto com o organismo materno. Nos momentos em que a vida no útero não é perturbada, as condições do feto podem estar próximas do ideal. Contudo, vários fatores de natureza física, química, biológica e psicológica podem interferir neste estado, como a alimentação da mãe, a sua vida emocional e psicológica, ou mesmo o tamanho do feto, entre outros fatores.

Quando uma mãe tem uma gravidez tranquila, pode existir a possibilidade de se aceder num estado holotrópico a experiências de vastas regiões sem fronteiras e sem limites; de haver uma identificação com galáxias, com o espaço interestelar, ou com um astronauta flutuando sem gravidade em todo o cosmos. Também é possível sentir-se a flutuar no oceano, identificar-se com vários animais aquáticos, como peixes, alforrecas, golfinhos ou baleias, ou até sentir a tornar-se no próprio oceano. As experiências intrauterinas positivas podem também estar associadas a visões arquetípicas da Mãe Natureza, como pomares cheios de fruta, campos de milho dourado, socalcos agrícolas, pássaros exóticos etc., ou a imagens como os paraísos celestiais descritos em mitologias de diferentes culturas.

Pelo contrário, quando a existência embrionária é perturbada, podem surgir durante os estados holotrópicos, e mesmo na vida em geral, uma sensação de ameaça sombria, de que estamos a ser envenenados ou perseguidos ou de que alguém nos quer fazer mal. Quando por exemplo, na gravidez, a mãe ingere alimentos ou produtos tóxicos, pode acontecer que, num estado não-ordinário de consciência, a pessoa veja imagens que retratam águas poluídas, lixeiras tóxicas, visões arquetípicas de entidades demoníacas assustadoras ou uma sensação de maldade fortemente entranhada.

A MPB II é designada de Engolfamento Cósmico e Sem-Saída e está relacionada com o início do parto biológico e o seu primeiro estágio clínico. Neste momento, a harmonia original e o equilíbrio da existência fetal são perturbados, primeiro por alarmantes sinais químicos e depois por contrações mecânicas do útero. Neste ponto, a cérvix ainda não se abriu e a saída ainda não é possível. Em cada contração diminui o suprimento de sangue e, por consequência, de oxigénio, nutrição e calor que o feto recebe, uma vez que as artérias que alimentam a placenta seguem uma trajetória sinuosa através do tecido espiral, circular e longitudinal da musculatura uterina.

A MPB III designa-se de a Luta Morte-Renascimento e muitos aspetos importantes desta matriz podem ser entendidos através da associação com o segundo estágio clínico do parto biológico, onde as contrações uterinas continuam, mas, ao contrário do estágio anterior, a cérvix está agora dilatada e permite a expulsão gradual do feto pelo canal do parto. Isto envolve uma enorme luta pela sobrevivência, fortes pressões mecânicas, frequentemente um alto grau de anoxia e sufocação, além do suprimento sanguíneo para o feto. O cordão umbilical pode ser comprimido entre a cabeça e a abertura pélvica ou enrolar-se em volta do pescoço. Em alguns casos, o feto pode experimentar um contacto íntimo com várias formas de material biológico, como o líquido amniótico, sangue, muco, urina e mesmo fezes. Segundo Grof, nesta Matriz pode estar a origem de sensações durante ENOCs com características mais depressivas, sem uma luz ao fundo do túnel, ou que alguém é submetido a uma força destrutiva e esmagadora, ou sente-se fechado num determinado espaço. Muitos dos problemas sexuais ou fantasias criadas pelas pessoas podem advir de uma influência marcante desta matriz.

A última MPB IV é a Experiência Morte-Renascimento, relacionado com o terceiro estágio clínico do parto, o real nascimento da criança. Neste momento, chega ao fim o agonizante processo da luta pelo nascimento. A expulsão através do canal do parto é seguida de uma súbita libertação e relaxamento. É feita a produção de oxitocina, a denominada ‘hormona do amor’. A criança nasce e vê pela primeira vez a luz brilhante do dia ou a iluminação artificial da sala de parto. Após um longo período de escuridão, depois do corte do cordão umbilical, a separação física do organismo materno está completa. Pessoas muito inovadoras, com um grande sentido de iniciativa, podem ter tido uma maior influência desta matriz.

Para Grof, outro domínio que deve ser acrescentado à cartografia da consciência e que não é contemplado pela Psicologia convencional é designado por domínio transpessoal. Este termo significa literalmente ir além do pessoal ou transcender o nível do ego. As experiências que se originam neste nível envolvem a transcendência das nossas fronteiras vulgares e das limitações do espaço tridimensional e tempo linear que restringem a nossa perceção do mundo no estado de consciência comum.

As experiências transpessoais podem dividir-se em três grandes categorias. A primeira envolve a transcendência das barreiras espaciais e temporais usuais. A segunda estende-se a domínios que a nossa cultura industrial considera não serem reais, como visões com seres arquetípicos, divindades, demónios de várias culturas e cenários mitológicos. E a terceira categoria compreende fenómenos que Grof designa de psicóides, termo cunhado pelo fundador do vitalismo Hans Driesch e adotado por Carl Jung. Envolvem sincronicidades, curas espirituais, magias cerimoniais, psicocinese e outros fenómenos da mente sobre a matéria conhecidos na literatura indiana como os siddhis.

Esta cartografia da consciência de Grof trouxe uma luz diferente à Psiquiatria, Psicologia e psicoterapia de tal forma significativa que só desta forma é que tem sido possível enquadrar todos estes fenómenos que surgem nos estados holotrópicos da consciência.

Representação artística da Teoria Transpessoal Grofiana, usada na capa do seu livro Healing our Deepest Wounds: The Holotropic Paradigm Shift

Outro conceito inovador explorado pelo Grof na Psicologia Transpessoal são as emergências espirituais. O termo ‘emergência espiritual’ foi criado nos anos 80 por Stanislav e Christina Grof, sendo um momento marcante de transformação uma pessoa que se transforma numa crise e assim como como momentos de oportunidade para um salto no crescimento pessoal e ascensão a um novo nível de consciência espiritual. No entanto, os contextos da sociedade atual não estão muitas vezes preparados para aceitar e apoiar estas crises e respetivas ‘transformações quânticas’ pessoais. Muitas vezes estas pessoas são encaminhadas para um hospital psiquiátrico, rotuladas com alguma psicose ou outra psicopatologia, e passam a tomar medicação por toda a vida sem nunca perceberem ou darem espaço a estas crises para se desenrolarem de uma outra forma mais saudável.

Stanislav e Christina Grof difundiram este conceito no seu livro “Emergência Espiritual: quando a transformação pessoal se torna uma crise”, em 1989. Na literatura, existem outros nomes dados por outros autores a esta mesma experiência como é o caso da Experiência Transpessoal, Consciência Cósmica, Consciência Mística, Despertar Espiritual, etc.

Estas crises acontecem após um período de profundo sofrimento ou de acontecimentos que abalam a estrutura do Ser, surgindo a necessidade de encontrar explicações e equilibrar a relação entre a matéria e o espírito. Algumas práticas espirituais e do movimento New Age também podem conduzir a estes estados de Emergência Espiritual. O que importa sublinhar é que há crises que são verdadeiras oportunidades de crescimento pessoal e não têm nada a ver com doenças psicopatológicas. Pelo contrário, segundo os Grof, o desconhecimento desta realidade é o que dá origem aos problemas subsequentes. Reconhecer o potencial curativo destas crises é imprescindível para que o objetivo da Emergência Espiritual se cumpra.

As crises de Emergência Espiritual são caracterizadas por emoções muito intensas e estados de consciência que não são comuns, onde as pessoas vivenciam a morte e o renascimento de vários valores e sentimentos. É como um verdadeiro colapso das estruturas internas que põe em causa antigos padrões de comportamento. Do ponto de vista dos Grof, as emergências espirituais são muitas vezes confundidas com alguns transtornos psicopatológicos e a única forma de evitar essa confusão é fazer um minucioso exame médico e psiquiátrico, só assim se consegue lidar amadurecidamente com esta questão.

Stanislav e Christina Grof fundaram mesmo a Rede de Emergências Espirituais, uma organização que ajuda as pessoas com crises psicoespirituais e que existe até aos dias de hoje. Esta foi criada com o intuito de apoiar as pessoas que pudessem receber ajuda especializada no que se refere a estas emergências espirituais, sem cair no estigma psiquiátrico e na psicopatologia. Desenvolveram tratamentos alternativos para tratar as crises psicoespirituais que não têm caráter psicopatológico.

A Proibição dos Psicadélicos e o Aparecimento da Respiração Holotrópica

“Guerra Contra as Drogas” foi um termo popularizado pelos meios de comunicação após uma famosa conferência de imprensa em 18 de junho de 1971 dada pelo Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, na qual declara que o abuso do uso de drogas ilegais tornou-se no “inimigo público número um”. A partir daí, a American Food and Drug Administration (FDA) proíbe a utilização terapêutica do LSD-25, assim como a investigação de outras substâncias psicotrópicas nos EUA (a que se seguiram muitos outros países), perdendo-se desta forma uma imensa oportunidade para se investigarem ferramentas poderosas com um enorme potencial curador para o ser humano.

Após esta proibição, todo o caminho percorrido até então por Stanislav Grof é bloqueado. No entanto, devido a uma série de acasos e sincronicidades na vida dos Grof, Stanislav e Christina desenvolveram um novo método respiratório de autoexploração e psicoterapia, baseado no efeito curativo do estado holotrópico de consciência, e designaram-no de Respiração Holotrópica. Segundo Grof, a pergunta mais frequente que os participantes dos workshops faziam era como haviam eles descoberto este método. Grof respondia da mesma forma que Albert Hofmann respondeu à pergunta sobre sua descoberta do LSD-25: “Uma serendipidade e sorte”.

A Respiração Holotrópica é um processo aparentemente simples, que acede aos ENOC através da respiração e música específica para catalisarem o processo interno e permitir despertar o ‘curador interno’. Por vezes, quando é necessário, é também realizado um trabalho corporal específico e, no fim, a realização das mandalas ou outra expressão artística, que ajudam as pessoas a comunicarem a natureza inefável das suas vivências, mais a partilha das experiências. Tudo isto revelou um potencial extraordinário para explorar o espectro do mundo interior. Os Grof perceberam que a Respiração Holotrópica induz os ENOC de forma comparável aos efeitos das substâncias psicotrópicas mas apenas com o uso da respiração, contornando assim a dificuldade imposta pela leis que proibiam a sua utilização.

Holotrópica é uma palavra de origem grega e que se divide em Holos, que é a totalidade e Trópicos, que é o que se move em direção a algo. Ou seja, holotrópica significa em direção à totalidade, neste caso, à totalidade da psique, à vastidão do oceano psíquico. Segundo Grof, os estados holotrópicos da consciência ativam uma inteligência autorregenrativa inata da psique e essa inteligência do Ser é como se fosse um mestre interno, um xamã que nos guia as experiências. Uma forma privilegiada para ativar esta inteligência ou sabedoria interna é através do acesso aos ENOC. Este é um dos princípios fundamentais da teoria grofiana, assente nos pressupostos do paradigma holístico e que altera profundamente a forma de intervenção dos psicoterapeutas.

Stanislav Grof denominou a esse princípio de ‘curador interno’ (inner healer), que tem uma “função radar”, funcionando com uma ferramenta de diagnóstico eficiente pois localiza com rigor o problema mais significativo e mais carregado emocionalmente. Grof refere que esta inteligência curativa representa uma grande vantagem em comparação com as psicoterapias verbais, em que é o terapeuta que decide quais são as questões mais relevantes a serem exploradas e desbloqueadas, através das informações que o cliente traz consigo. O terapeuta traz à luz dos seus conhecimentos mas também os seus preconceitos, projeções e perspetiva de vida.

Na biologia existe um processo chamado ‘homeostase’, que é a tendência natural do organismo em desempenhar as suas funções na direção do equilíbrio do corpo. É a capacidade que os organismos vivos possuem para regular o seu ambiente interno com um simultâneo contacto com o exterior, como num sistema aberto, e manterem um equilíbrio dinâmico, controlado por mecanismos de autorregulação interna. Na psicologia este processo é ativado ao acedermos aos ENOC.

Grof chegou a este método da respiração pois já tinha observado inúmeras vezes que, durante as sessões psicadélicas, os pacientes hiperventilavam espontaneamente. Nesse sentido, foi naturalmente explorando a hiperventilação, baseando-se igualmente em algumas das antigas tradições que também recorriam a estes métodos, como é o caso dos pranayamas do yoga. Foram constatando que se pedissem ao paciente que hiperventilasse este voltava a entrar no processo vivenciado na sessão psicadélica, permitindo fechar temáticas não resolvidas. Assim, quando as sessões psicadélicas foram proibidas, Grof e a sua mulher, que viviam no Instituto Esalen – um famoso centro de retiros na Califórnia considerado a Meca da Nova Era – começaram a experimentar a hiperventilação, percebendo que o resultado das sessões eram tão eficazes quanto as sessões psicadélicas e que a mesma inteligência e sabedoria interna eram ativadas. Assim nasceu o método da Respiração Holotrópica, desenvolvido em 1976.

Grof percebeu também que o efeito da expansão da consciência causado pelos ENOC é intensificado pelo uso de um determinado tipo de música. Assim como a respiração, a música e outras formas de tecnologia sonora, como o toque de tambores, de maracas, cantos, percussão, etc. têm sido usados, há milénios, como ferramentas importantes na prática xamânica, em rituais de cura ou rituais de passagem, em diversas partes do mundo. A música, cuidadosamente escolhida, desempenha uma função importante nos ENOC, ativando emoções associadas a lembranças reprimidas, permitindo que venham à tona e facilitando a sua expressão. Ajuda também a abrir a porta para o inconsciente, intensifica e aprofunda o processo terapêutico, e oferece um contexto significativo para a experiência.

Nestas sessões, deve dar-se total expressão ao que a música estimular e ajudar a expressar. É também importante não controlar qualquer tipo de impulsos físicos como caretas, movimentos sensuais da zona pélvica, tremores fortes, ou contorções intensas de todo o corpo. Também é encorajado aos participantes evitarem qualquer tipo de atividade analítica como tentar perceber o compositor da música, os instrumentos musicais que estão a tocar, ou a cultura da qual provêm.

Outro dos princípios fundamentais da Teoria Grofiana é a questão da intensificação dos sintomas inerente a estas vivências, tanto da respiração com nas sessões psicadélicas. A psicologia tradicional tende a concentrar-se nos sintomas como o principal alvo de seu interesse e das suas intervenções, tentando apenas trabalhar com os sintomas e fazendo-os desaparecer assim que surgem. Sabemos, no entanto, que essa abordagem não resolve a causa dos problemas, apenas remedeia o problema, mas não o elimina pela raiz. Este outro método procura intensificar os sintomas apresentados, de forma a que estes sejam totalmente expressos, em vez de os reprimir.

Esta estratégia terapêutica de intensificar os sintomas é inspirada num sistema alternativo de medicina chamado Homeopatia, tendo sido desenvolvido na primeira metade do século XIX pelo médico alemão Samuel Hahnemann. Ele experimentou e utilizou substâncias vegetais, minerais e animais em sujeitos saudáveis, e pelos efeitos produzidos, passou a administrá-las nas doenças que se manifestavam de forma similar – similia similibus curantur, que significa o semelhante cura-se pelo semelhante, princípio formulado por Hipócrates, pai da medicina ocidental no século IV A.C..

Na Respiração Holotrópica e na psicoterapia assistida por psicadélicos os sintomas manifestados agem como um remédio homeopático. Os estados holotrópicos tendem a intensificar todos os sintomas preexistentes, permitindo também a manifestação de sintomas anteriormente latentes, tornando-os disponíveis para serem processados. O trabalho com os estados holotrópicos utiliza a compreensão homeopática dos sintomas, pelo facto da cura se processar através da intensificação do sintoma.

Ao longo dos anos e da sua experiência com estes estados, Grof percebeu também a importância de um trabalho corporal específico. Quem observa de fora e não tem familiaridade com este método, vê os facilitadores realizarem muitas intervenções, levando-os a concluir que os facilitadores usam uma grande variedade de técnicas específicas que devem ter aprendido durante a formação. Mas, na realidade, o que esta equipa de apoio faz, é ser guiada por um princípio básico e orientador, que são as pistas deixadas pelos respiradores, e acompanhá-los de forma a intensificar o que já está a acontecer. Neste trabalho corporal, o facilitador pede ao participante que se concentre na área do seu corpo em que sente alguma tensão e faz o que for preciso para intensificar a experiência, encorajando a expressão total de todos os movimentos físicos, sons e emoções sem censurar, sem julgar e sem despender de esforços para controlar ou mudar a reação natural e espontânea.

Segundo este modelo, os estados holotrópicos ajudam a que as “energias” físicas e emocionais bloqueadas e associadas a diferentes memórias traumáticas se libertam, ficando assim à disposição para serem processadas e descarregadas perifericamente. Isto permite que o conteúdo previamente reprimido dessas memórias emerja à consciência e possa ser integrado. Trata-se de um processo terapêutico que deve ser fomentado e não de um processo patológico que deve ser reprimido. Nos estados holotrópicos, os processos levam muitas vezes a psique na direção do corpo, o que pode facilitar a resolução de problemas somáticos e emocionais e alcançar uma integração mais plena e enraizada.

Grof e o Renascimento dos Psicadélicos

A partir do século XXI, depois de 30 anos de investigações interrompidas sobre os benefícios dos psicadélicos, retomaram-se os ensaios clínicos demonstrando resultados muito animadores, quanto a alguns dos psicadélicos como a psilocibina e o MDMA “Temos pouco em termos de conclusões sólidas, mas temos dados que nos dão esperança em duas situações: poder vir a usar a psicoterapia assistida por MDMA para o tratamento de stresse pós-traumático e a psilocibina para o tratamento da depressão resistente à medicação”, esclarece Albino Oliveira-Maia, médico psiquiatra e diretor da Unidade de Neuropsiquiatria do Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.

Em 2006, investigadores da Universidade do Arizona, nos EUA, descreveram alguns dos efeitos benéficos da psilocibina em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo. Em 2014 e 2015, também nos EUA, dois estudos sugeriram que a administração de psilocibina seria eficaz no tratamento da dependência por tabaco e álcool. O efeito ansiolítico da psilocibina foi também investigado em doentes com diagnósticos de cancro potencialmente terminal. Nestes, uma dose de psilocibina reduziu os sintomas de depressão e ansiedade até seis meses. Outro estudo, publicado no mesmo ano, comparou o efeito de psilocibina com a niacina (vitamina B3, usada como controle). Os pacientes com cancro que receberam o composto psicadélico associado à psicoterapia apresentaram melhorias persistentes nos sintomas de ansiedade e depressão comparativamente com aqueles que apenas tomaram niacina. A psilocibina também obteve resultados promissores para o tratamento de depressão em dois estudos sucessivos realizados pelo Imperial College London.

“A meio do século XX, duas novas moléculas incomuns, compostos orgânicos com uma impressionante semelhança, explodiram no Ocidente. Com o tempo, estas moléculas iriam mudar o curso da história social, política e cultural, bem como as histórias pessoais de milhares de pessoas que eventualmente as introduziram nos seus cérebros.” É com esta constatação sobre o LSD e a psilocibina que o jornalista e escritor Michael Pollan lança o seu livro ‘How To Change Your Mind’, de 2018, descrevendo a história dos psicadélicos e sobretudo as suas próprias experiências com este tipo de substâncias de forma controlada e terapêutica. Este livro foi traduzido em 2020 em português, com o nome ‘Como Mudar a Sua Mente’ pela editora Prime Books.

Vivemos por isso, atualmente, um renascimento dos psicadélicos, retomando antigos estudos que foram iniciados nos anos 50 de século passado. A produtora Netflix tem contribuído com alguns documentários como o The Healing Trip, sendo o primeiro episódio da série The Goop Lab que se estreou em 2020, e que acompanha quatro membros da equipa do império de lifestyle e wellness de Gwyneth Paltrow numa experiência terapêutica com cogumelos mágicos na Jamaica. É importante referir que estas substâncias são ilegais em muitos lugares do mundo. No entanto, existem alguns locais onde o seu uso é legal, como é o caso da Jamaica, Costa Rica, México e Países Baixos, que permitem ter a experiência num ambiente terapêutico.

Neste momento, e depois de ter recebido em 2017 a designação de breakthrough therapy pela Food and Drug Administration (FDA), a terapia com MDMA para o stresse pós-traumático da MAPS (Multidisciplinary Association for Psychdelic Studies) encontra-se na fase três dos ensaios clínicos nos EUA, Canadá e Israel, que deverá estar concluída em 2022, e a iniciar a fase dois na Europa. A expectativa da associação é que o FDA aprove a psicoterapia assistida com MDMA como tratamento prescrito em 2023. Em 2018, foi a vez da COMPASS Pathways, que recebeu a designação de terapia inovadora pelo FDA para a terapia com psilocibina no tratamento de depressão resistente. Atualmente na fase dois, este estudo está a ser conduzido em várias partes da América do Norte e da Europa, e também em Portugal, mais concretamente no Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa.

Stanislav Grof , atualmente com 91 anos e casado pela terceira vez em 2016 (atualmente com Brigitte Grof) acompanha este renascimento dos psicadélicos. Em maio de 2020, ambos lançaram uma nova formação internacional denominada de Grof® Legacy Training, sendo a primeira formação (‘Grofian Psychedelic Therapy’), oferecida para terapeutas psicadélicos através da Fundação Beckley Med. O Grof® Legacy Training fundamenta-se na prática desenvolvida pelo Stanislav Grof e nos seus estudos da consciência que deram origem à psicoterapia assistida por psicadélicos, método da respiração holotrópica, psicologia transpessoal e emergências espirituais.

A psicoterapia assistida por psicadélicos está hoje a ser vista como uma grande revolução e altamente promissora na saúde mental num futuro imediato. As medicinas psicadélicas fundamentam-se em séculos de sabedoria ancestral dos povos indígenas, apoiados pelas mais modernas investigações clínicas da neurociência, da psiquiatria e psicoterapia.

Livro de Stanislav Grof, Psychology of the Future, antecipando a emergência das psicoterapias assistidas por psicadélicos

Como já referimos, esta é uma nova psicologia que Grof apelida de ‘psicologia do futuro’. O novo enfoque da Psicologia e psicoterapia surge dos ENOC e vai além dos modelos humanísticos que enfatizam a expressão emocional direta do corpo, mas que continuam a ser conduzidas num estado ordinário de consciência, deixando sempre limitações e obstáculos no desenrolar do processo psicoterapêutico. A utilização destes outros estados de consciência na psicoterapia faz ativar o material inconsciente do paciente, muitas vezes com forte carga emocional, e dispensa os facilitadores da tarefa de escolher os conteúdos mais relevantes a serem trabalhados em psicoterapia.

Na Psicologia Transpessoal é fundamental aceitar o potencial de cura de cada pessoa e confiar nessa ‘sabedoria interior’, criando uma visão positiva e otimista perante a vida. O objetivo final da Psicoterapia Transpessoal é permitir que cada um realize o seu processo de individuação, explorando as suas capacidades e potencialidades finais.

Tanto esta nova corrente da Psicologia, como métodos que usam a respiração, como a terapia assistida por psicadélicos só conseguem ser enquadrados à luz de um novo paradigma científico, sendo esta também uma nova visão do mundo que começou a surgir no final do século XX. Um paradigma é um modelo ou um padrão, um conjunto de crenças e valores que uma determinada comunidade partilha.

Descartes desenvolveu o método científico racional dedutivo e defendeu o dualismo da natureza, ou seja, a matéria e o pensamento, criando assim o dualismo do ser humano, corpo e alma. É conhecido como um método mecanicista, uma vez que concebe o mundo e o homem como máquinas. Newton desenvolveu o método racional dedutivo de Descartes, surgindo assim o paradigma cartesiano-newtoniano, que influenciou e ainda influencia praticamente todos os campos do conhecimento científico. A Física Quântica veio revolucionar este padrão.

O método analítico cartesiano foi um dos pilares da evolução do mundo moderno, mas, por outro lado, contribuiu para a fragmentação dos sentimentos íntimos do ser humano, para a ênfase na abordagem reducionista e mecanicista e podemos também dizer que parte dos desequilíbrios sociais e da destruição sistemática do nosso ecossistema provém deste modelo cartesiano-newtoniano que, em nome do progresso, ameaça a existência da vida, do planeta Terra e do ser humano.

As descobertas científicas como a Teoria da Relatividade de Einstein e a Teoria da Mecânica Quântica, de Max Planck e outros, evidenciaram as limitações deste modelo cartesiano. Estas descobertas, e talvez também a necessidade de se conhecer o ser humano de forma mais global, de uma forma mais holística, deu origem ao Paradigma Holístico, que apresenta uma nova conceção do mundo e do homem, deixando de ser vistos como máquinas, baseadas nas suas partes isoladas, mas sendo mais vistos como um todo em interação.

Na área da Saúde, estes novos conceitos e paradigmas permitiram o nascimento das terapias holísticas, das terapias alternativas e complementares. Enquanto o paradigma cartesiano dá ênfase à doença, sendo preciso fragmentar o ser humano para chegar ao local concreto da doença, o paradigma holístico observa principalmente o doente (e não tanto a sua doença) e aborda o ser humano de forma integral, sem dualismo corpo-mente, englobando o corpo físico, emocional e mental. A psicoterapia assistida por psicadélicos, a respiração holotrópica e a Psicologia Transpessoal podem ser observadas e entendidas à luz deste paradigma holístico.

Uma nova redefinição de conceitos e valores e uma nova prática fundamentadas nesta conceção holística permitem encarar o Homem de uma forma integral, como um ser bio, psico, social, ambiental e também espiritual.

Referências Bibliográficas:

A Psicologia do futuro. Stanislav Grof. Porto. Editora Via Ótima. 2000

Emergência Espiritual. Stanislav e Christina Grof. São Paulo: Editora Cultrix. 1989

LSD Psychotherapy. Stanislav Grof. Hunter House. 1980

The Way of the Psychonaut Volume One: Encyclopedia for Inner Journeys. MAPS, 2019

The Way of the Psychonaut Volume Two: Encyclopedia for Inner Journeys. MAPS, 2019

Respiração Holotrópica: Uma Abordagem Transpessoal. Rui Bizarro. Edições Mahatma 2018

O renascimento da terapia psicodélica: Uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development. Vol. 10, n. 9. Henrique da Cunha Santos e Cássio Ilan Soares Medeiros. 2021

Websites:

https://grof-legacy-training.com

https://respiracionholotropica.com/wp-content/uploads/2020/05/History-of-Grof-Training-–-Open-letter-to-the-holotropic-community.pdf

Documentários:

The Way of the Psychonaut: Stanislav Grof’s Journey of Consciousness. 2020

The Healing Trip – Episode: The Goop Lab. Netflix. 2020

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Mais sobre o autor, Rui Sebők Bizarro:

· Licenciado em Psicologia Social e do Trabalho;
. Mestre em Psicologia da Saúde e Intervenção Comunitária;
· Facilitador de Respiração Holotrópica certificado pela Grof Transpersonal Training no New Mexico – EUA (entre outras terapias).
. Autor dos livros Respiração Holotrópica: Abordagem Transpessoal (2018),  Errante Intempestivo (2018), e Pétalas que Ardem em Espiral (2019).

Após vários anos de aprendizagem em Portugal, Espanha e noutras culturas como na selva amazónica do Brasil, Peru, E.U.A. e Índia, Rui Bizarro foi tocado por diferentes mestres e facilitadores que muito contribuíram para o seu processo de autoconhecimento e transformação pessoal. Atualmente, a sua intenção é partilhar o que tem vindo a experienciar em si mesmo, ao longo da vida, e poder contribuir para a realização do ser humano. Foi fundador do Projeto Simplesmente em 2006, com o qual se dedica a dinamizar atividades ligadas ao desenvolvimento pessoal e transpessoal. Vive em Tomar, na Quinta de São José dos Montes, desde 2012, desenvolvendo um projeto que inclui Turismo Rural e de Natureza, Quinta Pedagógica, Agricultura Biológica, Equitação Natural e Centro de Retiros e Formações.

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